365 LPs
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Paulo Henrique de Moura
365 Lps Ep 03 - O Poeta do Povo - DOL: 2017/Philips: 1965.
10 minutes Posted Feb 13, 2020 at 1:37 pm.
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Show notes
Aclamado, o disco foi consequência direta do estrondoso sucesso que consagrou o espetáculo Opinião. Idealizado na boemia do Zicartola (o antológico bar do não menos genial Cartola, e Dona Zica) por um rol de notáveis que incluía Zé Keti, Nara Leão, os dramaturgos Paulo Pontes, Armando Costa e Vianinha (autores do roteiro) e o diretor Augusto Boal, Opinião debutou em 11 de dezembro de 1964, encabeçado por João, Zé Kéti e Nara Leão, no teatro de arena do Shopping Copacabana (uma curiosidade irônica, a despeito da veia subversiva de Opinião, ambos espaços pertenciam ao senador Arnon Afonso de Farias Mello, golpista na guinada militar de 1964 e pai do ex-presidente Fernando Collor de Mello). Lançado em 1965, a despeito de seu valor irretocável, O Poeta do Povo carrega o paradoxo de ter sido o único álbum solo de João do Vale. Na contracapa do LP, apesar de ele estampar o logo da Philips, fica clara a escassez usual do período, no tocante a informações sobre o registro. Em meio às fotos PB e a tipografia inconfundível do mestre Ziraldo, todo o resto se resume a uma breve apresentação, escrita de próprio punho pelo artista, além da lista com as 12 faixas compiladas em cada um dos lados do disco.
O álbum traz canções representativas do lirismo combativo e da genialidade intuitiva de João do Vale. Estão em O Poeta do Povo, composições da dimensão de A Voz do Povo, Peba na Pimenta, Minha História, Pisa na Fulô, Fogo no Paraná, Pra Mim, Não (“dizem que acabou a escravidão / pra mim não!”) e Carcará – esta última, como sabemos, foi transformada em hino contra o terror da ditadura pelo jovem público do show Opinião, sobretudo depois que, debilitada, Nara Leão deu lugar a Maria Bethânia, que imprimiu à Carcará sua mais enfática versão.