O QUE FAZER COM AS FORÇAS ARMADAS? - 20 Minutos Análise
A exoneração do então comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda, por decisão do presidente Lula, abriu novo capítulo na relação do governo com as Forças Armadas.
Com a intentona bolsonarista do dia 8 de janeiro, ficaram ainda mais explícitos os laços entre setores militares e a extrema-direita, colocando em xeque a própria disciplina dos quartéis frente ao poder civil.
O general Arruda claramente havia acobertado a fuga de golpistas que participaram dos atentados contra a Praça dos Três Poderes, impedindo a ação da PM do Distrito Federal, que tinha ordem judicial para dissolver o acampamento diante do quartel-general do Exército em Brasília e prender seus integrantes.
O governo preferiu contemporizar com essa situação, mas logo adiante se veria diante de outra indisciplina do mesmo general: a recusa em cancelar a nomeação do tenente-coronel Mauro César Cid, principal ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, para comandar o 1º Batalhão de Ações e Comandos, o 1º BAC, uma das unidades do temido Comando de Operações Especiais, com sede em Goiânia.
Foi a gota d’água para a demissão de Arruda e sua substituição pelo general Tomás Ribeiro Paiva, que ocupava o Comando Militar do Sudeste, sediado em São Paulo, desde 2021.
Mas essa medida, segundo muitos analistas, está longe de resolver o problema real, qual seja, a tutela militar sobre as instituições, protegida por uma rede de mecanismos e privilégios legais praticamente desde a Guerra do Paraguai e a formação da República.
Essa tutela teve diversos momentos. A fase mais aguda certamente foi durante a ditadura dos generais, entre 1964 e 1985, quando as Forças Armadas exerceram diretamente a direção do Estado.
Com a redemocratização, retornaram a uma posição de retaguarda. Mas a partir de 2015, com a nomeação do general Eduardo Villas Boas para o comando do Exército, ainda durante o governo Dilma Rousseff, voltou a prevalecer uma doutrina favorável ao protagonismo político dos fardados, que desembocaria no apoio à eleição e ao governo de Bolsonaro.
Não é exagero dizer que seria impensável a administração de extrema-direita sem a cumplicidade e a atuação do partido militar, presente nas mais altas esferas de gestão, e recompensados com altíssimos salários.
A troca de chefia no Exército é um passo adiante no enfrentamento a esse partido militar, indispensável para recolher as Forças Armadas aos quartéis e promover sua desbolsonarização.
No entanto, somente poderá se falar em superação dessa crise, segundo muitos analistas, quando forem enfrentadas as razões estruturais que permitiram essa nova etapa de intervenção militar na política.
----
Quer contribuir com Opera Mundi via PIX? Nossa chave é [email protected] (Razão Social: Última Instância Editorial Ltda.). Desde já agradecemos!
Assinatura solidária: http://www.operamundi.com.br/apoio
★ Support this podcast ★
